domingo, 12 de novembro de 2017


 UMA PALAVRA SOBRE ESTATÍSTICAS(*)

 Em cada cem pessoas
 Aquelas que sempre sabem mais:
 cinquenta e duas.
 Inseguras de cada passo:
 quase todo o resto.
 Prontas a ajudar,
 desde que não demore muito:
 quarenta e nove.
 Sempre boas,
 porque não podem ser de outra maneira:
 quatro — bem, talvez cinco.
 Capazes de admirar sem invejar:
 dezoito.
 Levadas ao erro
 pela juventude (que passa):
 sessenta, mais ou menos.
 Aquelas com quem é bom não se meter:
 quarenta e quatro.
 Vivem com medo constante
 de alguma coisa ou alguém:
 setenta e sete.
 Capazes de felicidade:
 vinte e alguns, no máximo.
 Inofensivos sozinhos,
 selvagens em multidões:
 mais da metade, por certo.
 Cruéis,
 quando forçados pelas circunstâncias:
 é melhor não saber
 nem aproximadamente.
 Peritos em prever:
 não muitos mais
 que os peritos em adivinhar.
 Tiram da vida nada além de coisas:
 trinta
 (mas eu gostaria de estar errada).
 Dobradas de dor,
 sem uma lanterna na escuridão:
 oitenta e três,
 mais cedo ou mais tarde.
 Aqueles que são justos:
 uns trinta e cinco.
 Mas se for difícil de entender:
 três.
 Dignos de simpatia:
 noventa e nove.
 Mortais:
 cem em cem —
 um número que não tem variado.
  Wislawa Szymborska