terça-feira, 9 de julho de 2024

 Melancolia é o nome da saudade sem esperança.

"Vietnã", de Wislawa Szymborska

 

"Mulher, como você se chama? - Não sei.

Quando você nasceu, de onde você vem? - Não sei.
Para que cavou uma toca na terra? - Não sei.
Desde quando está está aqui escondida? - Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? - Não sei.
De que lado você está? - Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. - Não sei.
Tua aldeia ainda existe? - Não sei.
Esses são teus filhos? - São.

 "A vida, essa senhora banguela, não teme a feiura e faz coisas

medonhas com sua boca murcha que não lhe inibe as gargalhadas. Ao

contrário, gosta de nos exibir a extensão da mordida que nos dará com

deboches e ironias ao invés de dentes, para nos fazer pagar a língua

enquanto giramos estonteados, pra lá e pra cá, entre suas gengivas."

Carla Madeira - "A natureza da mordida"

 Partir! Nunca voltarei. Nunca voltarei porque nunca se volta. O lugar a que se volta é sempre outro, A gare a que se volta é outra. Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia”.

Fernando Pessoa, Álvaro de Campos