quarta-feira, 5 de setembro de 2018

sábado, 26 de maio de 2018

Poema das borboletas



As pessoas deste mundo são como as três borboletas de fronte da chama de uma vela.

A primeira aproximou-se e disse: "Eu conheço o Amor".

A segunda tocou a chama ao de leve com as suas asas e disse: "Eu sei como o fogo do Amor pode queimar".

A terceira lançou-se para o coração da chama e foi consumida.

Apenas ela sabe o que é o Amor verdadeiro.

Salar Aghili

Poema dos Átomos

Oh dia, desperta! Os átomos dançam.
Todo o Universo dança graças a eles
As almas dançam possuídas pelo êxtase
Sussurrar-te-ei ao ouvido... para onde os leva a sua dança
Todos os átomos no ar e no deserto... sabes, parecem loucos
Cada átomo, feliz ou triste... está encantado pelo Sol
Não há nada mais a dizer
Nada mais

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A L A Z Á N
Alejandro Albarrán

El alazán de la sangre salta, el alazán, lázaro, se lanza. Mi alazán se lanza, mírale la panza, lázaro, la panza, mi alazán sin ojos se lanza, desde una lonja vieja y arrugada, desde una lonja longeva y dorada, desde una giba, mi alazán sin ojos me aviva, mi alazán sin ojos se lanza, desde mi propia panza: mi alazán con alas de ánsar.

*

Para un caballo sin ojos todo es paisaje. Muy adentro
todo es paisaje. Muy adentro
todo es fondo.
No hay finales, ni quiebres. Hay, sí,
un fin rotundo. Como un tumbo.
Hay una rotura de mundo. Como un solo quiebre.
Hay la quebrada, desde donde mi caballo se lanza. Mi caballo sin ojos.
Mi alazán
con alas de ánsar.

*

Para el caballo que se lance
desde un desfiladero
para el que se lance primero
hay un piso suave. Para un caballo-ave
hay
lo verdadero.
Para el caballo que llegue
primero.

*

Desde un desfiladero, a quien llegue primero, desde un lugar inventado o verdadero, mi caballo se lanza, lázaro, mi caballo sin ojos se lanza, un hoyo negro en su panza: otro desfiladero, para quien llegue primero. Uno más hondo, para quien llegue del fondo hasta el fondo, de su panza sin fondo, para quien llegue primero hay una caída más grande, hay lo verdadero. La panza, lázaro, mírale la panza, métete en ella: avanza, retrocede, avanza, ¡la panza, lázaro, la panza! Ábrela con una lanza antes que reviente, métete en su vientre, métete adentro, en el fondo sin fondo de su vientre sin vientre, ábrele la panza, con un cuchillo o tenedor, la panza, lázaro, métete en ella o saca de ahí todo el paisaje. 

*

Está
el límite, al final del fondo
al fondo sin fondo del sentido. El fondo.
El no-límite: el límite
contenido en el fondo,
en el
fondo
sin fondo del sentido, en el fondo sin
fondo contenido. En el fondo, fondo y fin son,
en el fondo sin fondo, contenido.

*

Mira cómo corre, cómo ha corrido, mi caballo, mi Cristo Equino, mira cómo va por el camino: sin camino, míralo cómo se ve volando, cómo se va volando. Míralo cómo se va cayendo, se ve cayendo. Mira con qué fe se lanza, mira como le brilla la panza, mira como desde abajo parece un pedazo, nada más un pedazo, un brazo, una mano abierta, cayendo. Mira cómo tapa el sol y es una pierna, cayendo, un dedo, mira cómo tapa el sol su pelo, mira cómo sigue galopando al vuelo.

*

Ya en el aire, mi caballo relincha, todavía relincha, mi caballo, cayendo y todo, todavía relincha, todavía repara, todavía se para, todavía se queja, todavía se le hincha. Y cae enseñando los dientes, feliz y libre, mostrando el delantal o diente, enseñando, sí, la dentadura, cae, a una estancia insegura, mostrando el premolar, mi caballo que no sebe volar, mi caballo-gallina, cae enseñando los dientes, enseñando la encía, mostrando las caries: la carencia.

*

Para un caballo sin ojos
el paisaje es infinito. Repito:
Para un caballo sin ojos, lázaro,
no hay límites. No lo imites.
Baste, lázaro, con mirar en el fondo
de sus ojos sin fondo.

*

Imagina, lázaro, una cuadrilla de caballos, en el aire, suspendidos.
Imagínalos tendidos.  En vilo. Como gotas galopando, sin caer.
Imagina cómo se han de ver esos caballos esparcidos. Imagina
cómo se han de ver llover.

*

Qué fiesta
cuando mi caballo se acabe
de caer
qué fiesta cuando reviente
cuando termine
en su propio vientre
de llover
qué
fiesta
cuando mi caballo termine
de caer
cuando reviente
desde su propio vientre
cuando se aviente
desde su propio vientre
qué fiesta
cuando mi caballo se acabe
de caer
cuando reviente y queden
esparcidos
en las piedras
los pedazos.

A L A Z Ã O
O alazão do sangue salta, o alazão, lázaro, se lança. Meu alazão
se lança, olha sua pança, lázaro, a pança, meu alazão sem olhos
se lança, de uma loja  velha e encarquilhada, de uma loja longeva
e dourada, de uma corcunda, meu alazão sem olhos me apruma,
meu alazão sem olhos se lança,  da minha própria pança:
alazão com suas asas de ganso.

*

Para um cavalo sem olhos tudo é paisagem. Bem dentro
tudo é paisagem. Bem dentro
tudo é fundo.
Não há finais, nem quebras (quiebres). Há, sim,
um fim rotundo. Como um retumbo.
Há uma ruptura do mundo. Como um único quiebre.
Há a quebrada, de onde meu cavalo se lança. Meu cavalo sem olhos.
Meu alazão
com asas de ganso.

*

Para o cavalo que se lance
de um desfiladeiro
para o que se lance primeiro
há um solo suave. Para um cavalo-ave
o verdadeiro.
Para o cavalo que chegue
primeiro.

*

De um desfiladeiro, a quem chegue primeiro, desde um lugar inventado
ou verdadeiro, meu cavalo se lança, lázaro, meu cavalo sem olhos
se lança, um buraco negro em sua pança: outro desfiladeiro,
para quem  chegue primeiro. Um mais fundo, para quem chegue
do fundo ao mais fundo,  de sua pança sem fundo,
a quem chegue primeiro, há a queda mais longa,  há o verdadeiro.
A pança, lázaro, olha sua pança, enfia-te nela: avança, retrocede,
avança, a pança, lázaro,  a pança! Abra-a com uma lança antes
que rebente, enfia-te em seu ventre,  enfia-te por dentro, no fundo
sem fundo de seu ventre sem ventre, abra-lhe a pança,
com uma faca ou garfo, a pança, lázaro,
enfia-te nela ou arranca dali toda a paisagem.

*

Aí está
o limite, ao final do fundo
ao fundo sem fundo do sentido. O fundo.
O não-limite: o limite
contido no fundo,
no
fundo
sem fundo do sentido, no fundo sem
fundo contido. No fundo, são fundo e fim,
no fundo sem fundo, contido.

*

Olha como corre, como tem corrido, meu cavalo, meu Cristo Equino,
olha como vai pelo caminho: sem caminho, olha como se vê voando,
como vai voando. Olha como vai caindo, se vê caindo. Olha
com que fé se lança, olha como brilha sua pança, olha como de baixo
parece um pedaço, nada mais que um pedaço, um braço, mão
aberta, caindo. Olha como tapa o sol e é uma perna, caindo,
um dedo, olha como tapa o sol seu corpo, olha como segue
galopando ao voo.

*

Já em pleno ar, meu cavalo relincha, ainda relincha, meu cavalo,
em queda e tudo, ainda relincha, ainda repara, ainda para, ainda
se queixa,  ainda se incha. E cai expondo os dentes, feliz e livre,
mostrando o avental ou dente, expondo, sim, a dentadura,
cai, em fazenda  segura, mostrando o pré-molar, meu cavalo
que não sabe voar, meu cavalo-galinha, cai expondo os dentes,
expondo a gengiva, mostrando as cáries: a carência.

*

Para um cavalo sem olhos
a paisagem é infinita. Repito:
Para um cavalo sem olhos, lázaro,
não há limite. Não o imite.
Contenta-te, lázaro, em olhar no fundo
de seus olhos sem fundo.

*

Imagina, lázaro, uma quadrilha de cavalos, em pleno ar, suspensos.
Imagina-os tensos. Inquietos. Como gotas galopando, sem cair.
Imagina como devem ver-se esses cavalos espraiados. Imagina
como devem ver-se chover.

*

Que festa
quando meu cavalo enfim
cair
que festa quando se rebente
quando termine
em seu próprio ventre
de chover
que
festa
quando meu cavalo termine
de cair
quando rebente
de dentro de seu próprio ventre
quando se ventile
de dentro de seu próprio ventre
que festa
quando meu cavalo enfim
cair
quando se rebente e fiquem
espraiados
nas pedras
os pedaços


(tradução de Ricardo Domeneck)

segunda-feira, 7 de maio de 2018




"Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos 'sem querer'. "
Sigmund Freud

domingo, 15 de abril de 2018


A poesia é uma mentira, mora. Pelo menos me tira da verdade relativa E ativa a circulação consangüínea 
Ana Cristina César

sábado, 14 de abril de 2018

"Os romances retratam o indivíduo na sociedade, seja por meio de Balzac ou Dostoiévski, e transmitem conhecimentos sobre sentimentos, paixões e contradições humanas. A poesia é também importante, nos ajuda a reconhecer e a viver a qualidade poética da vida. As grandes obras de arte, como a música de Beethoven, desenvolvem em nós um sentimento vital, que é a emoção estética, que nos possibilita reconhecer a beleza, a bondade e a harmonia. Literatura e artes não podem ser tratadas no currículo escolar como conhecimento secundário."

Edgar Morin

sexta-feira, 30 de março de 2018

Olho muito tempo o corpo de um poema - Ana Cristina Cesar

olho muito tempo o corpo de um poema até perder de vista o que não seja corpo e sentir separado dentre os dentes um filete de sangue nas gengivas