quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Carmen

Carmen


 O amor é um pássaro rebelde

L'amour est un oiseau rebelle


Que ninguém pode domarQue nul ne peut apprivoiser
E é em vão que nós o chamamosEt c'est bien en vain qu'on l'appelle
Se lhe convém recusarS'il lui convient de refuser
Não adianta nada, nem ameaças ou oraçõesRien n'y fait, menaces ou prieres
Um fala bem, o outro se calaL'un parle bien, l'autre se tait
E é este último que eu prefiroEt c'est l'autre que je prefere
Ele não disse nada mas ele me agradaIl n'a rien dit mais il me plait

O amor, o amor, o amor, o amorL'amour, l'amour, l'amour, l'amour
O amor é o filho da boêmiaL'amour est enfant de boheme
Ele nunca conheceu as leisIl n'a jamais jamais connu de lois
Se você não me ama, eu te amoSi tu ne m'aimes pas je t'aime
Se eu te amo melhor se cuidarSi je t'aime prend garde a toi
Se você não me amaSi tu ne m'aimes pas
Se você não me ama, eu te amoSi tu ne m'aimes pas je t'aime
Mas se eu te amo, se eu te amoMais si je t'aime, si je t'aime
Melhor se cuidarPrends garde a toi

O pássaro que você pensou surpreenderL'oiseau que tu croyais surprendre
Bateu suas asas e voouBattit de l'aile et s'envola
O amor está longe, você pode esperá-loL'amour est loin, tu peux l'attendre
Você não espera mais, ele está aquiTu ne l'attends plus, il est la
Em torno de você, depressa, depressaTout autour de toi, vite, vite
Ele se vai e depois voltaIl vient, s'en va puis il revient
Você acredita que o prendeu, ele te evitaTu crois le tenir, il t'evite
Você acredita que o está evitando, ele te prendeTu crois l'eviter, il te tient

O amor, o amor, o amor, o amorL'amour, l'amour, l'amour, l'amour
O amor é o filho da boêmiaL'amour est enfant de boheme
Ele nunca conheceu as leisIl n'a jamais jamais connu de lois
Se você não me ama, eu te amoSi tu ne m'aimes pas je t'aime
Se eu te amo melhor se cuidarSi je t'aime prend garde a toi
Se você não me amaSi tu ne m'aimes pas
Se você não me ama, eu te amoSi tu ne m'aimes pas je t'aime
Mas se eu te amo, se eu te amoMais si je t'aime, si je t'aime
Melhor se cuidarPrends garde a toi


sábado, 26 de julho de 2025

sexta-feira, 25 de julho de 2025

 "Dançar. Dançar a derrota do meu adversário. Dançar na festa do meu aniversário. Dançar sobre a coragem do inimigo. Dançar no funeral do ente querido. Dançar à volta da fogueira na véspera do grande combate. Dançar é orar. Eu também quero dançar: A vida é uma grande dança."

Paulina Chiziane

 Um monge descabelado me disse no caminho: “Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: digamos que a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo”. E o monge se calou descabelado.

 

Manoel de Barros

domingo, 6 de julho de 2025

 Nada podeis contra o amor.

Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.

Eugénio de Andrade

 Poema de Geni Nunes.


Impecável

Tudo em linha reta, combinado previsto e controlado

dizia nunca ter sentido nenhuma inveja

Não se permitia nenhuma gula e engolia só a ira

Preguiça jamais, luxúria nem pensar

De tanto temer o fogo congelou seus desejos e com vergonha do orgulho rebaixou suas alegrias e o sorriso alheio lhe ofendia mas, nós pecadores que você tanto repudia e tanto deseja te convidamos a brincar conosco nesse lamaçal

Talvez tenha chegado a hora de não ser mais tão impecável.

Urgentemente, de Eugénio de Andrade

 É urgente o amor

É urgente um barco no mar

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.