sexta-feira, 17 de julho de 2015

A arte em outro plano da realidade

Sócrates em Íon de Platão:
Porque todos os bons poetas, tanto épicos como líricos, compõe os seus belos poemas não por arte, mas porque estão inspirados e possessos. E assim como os foliões coribantes, que quando dançam não estão em seu juízo, assim também os poetas líricos não estão em seu juízo quando compõe os ses belos versos, mas quando, caindo sobre o poder da música e do metro, estão inspirados e possessos; tal como as Bacantes, que extraem leite e mel dos rios quando estão sob a influência de Dionísius, mas não quando estão de juízo perfeito. E a alma do poeta lírico faz o mesmo, como eles próprios dizem: porque eles nos dizem que extraem canções de fontes melífluas, colhendo-as nos jardins e nos vales das Musas, como abelhas, esvoaçando de flor para flor. E é verdade. Porque o poeta é uma coisa leve e alada e sagrada, e não há nele invenção enquanto não estiver inspirado e fora dos seus sentidos, e enquanto o seu espírito esteja nele; enquanto não atingir esse estado, é impotente e incapaz de pronunciar os seus oráculos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário