sábado, 18 de junho de 2016

Maiakovski, em "Como fazer versos?", escreve:

"Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta, para que escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Damos o nome de poeta justamente à pessoa que cria essas regras poéticas.
Algumas palavras simplesmente pulam fora, e não voltam nunca mais, outras se detêm, reviram-se e revolvem-se algumas vezes, antes que você sinta que cada palavra ficou no lugar certo (é a este sentimento que se desenvolve com a experiência que chamamos de talento).
Na maioria das vezes, o que surge primeiro é a palavra mais importante, aquela que caracteriza o sentido do verso, ou a palavra a ser rimada. As demais palavras vêm e são colocadas no lugar na dependência dessa palavra mais importante.
Quando o essencial está concluído, vem-nos de repente a sensação de que o ritmo se quebra; falta uma pequena sílaba, um pequeno som. Você passa a costurar de novo todas as palavras, até o frenesi.
O esforço de organizar o movimento, de organizar os sons ao redor de si, depois de determinar o caráter destes, as suas peculiaridades, são um dos mais importantes trabalhos poéticos permanentes: são as preparações rítmicas.
O ritmo é a força básica, a energia básica do verso. Não se pode explica-lo, disto só se pode falar como se fala do magnetismo, ou da eletricidade, que são formas de energia.
O ritmo pode ser um só em muitos versos, até em toda a obra de um poeta, e isto não torna o trabalho monótono, pois o ritmo pode ser tão complexo e difícil de materializar que não se consiga alcançá-lo mesmo em alguns poemas longos.
O poeta deve desenvolver em si justamente esse sentimento de ritmo, e não decorar as medidas alheias, ou mesmo o verso livre canonizado; trata-se de ritmos adaptados a alguns casos concretos e que servem unicamente para esses casos concretos."

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