segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Na praia dos mundos sem fim as crianças se encontram. O céu infinito permanece estático sobre as suas cabeças e a água, inquieta, cutuca a areia. Na praia dos mundos sem fim as crianças se encontram, com muitas danças e algazarras. Elas constroem suas casas com areia e brincam com as conchas vazias. Com as folhas secas elas tecem seus barquinhos e os colocam, sorridentes, para flutuar na vastidão do mar. As crianças brincam na praia dos mundos. Elas não sabem nadar, e tampouco arremessar as redes. Pescadores de pérolas mergulham atrás de pérolas, mercadores navegam em seus barcos, enquanto as crianças catam pequeninas pedras, e depois as espalham novamente. Elas não buscam por tesouros ocultos, e tampouco sabem arremessar as redes. As ondas explodem na beira, as gargalhadas, e toda a praia cintila, com um sorriso em preto e branco.


As ondas assassinas cantam baladas sem sentido para as crianças, assim como a mãe que embala o seu bebê no berço. O mar brinca com as crianças, e toda a praia cintila, com um sorriso em preto e branco. Na praia dos mundos sem fim as crianças se encontram. A tempestade ronda pelo céu sem trilhas, os navios naufragam pelo mar sem rotas, a morte está à solta, e as crianças brincam. Na praia dos mundos sem fim ocorre o grande encontro de todas as crianças.

 [Poema de número 60 - Gitanjali - TAGORE] 

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