sexta-feira, 28 de agosto de 2015

"... O homem, a planta-homem, deve enraizar-se antes na nascente suave do real, na delicadeza de um brotar e de um borbulhar para então, e só depois, colocar a cabeça e o corpo no mundo-realidade. Antes do mundo liso da instituição há o mundo nascente do poema. Todo homem deve passar pelo sopro do poema; poema em que o gesto da criança fez-se um no rosto daquele que o festeja. Quem não é saudado no interior do brilho apaga-se e é reengolido na garganta do vazio. Só a circulação de uma primeira intensidade desfaz a onipresença da fenda."

"... Compreendi que ele havia nascido num lugar imenso cujo nome é satanismo da luz. Falo sobre esse lugar. Falo da solidão na claridade. Falo do recém-chegado em sua delicadeza sem forma encontrando um excesso de forma. Falo de um olho fascinado pela aparição encontrando um olho gelado do cálculo. Falo da dor desse desencontro."

trechos do texto "Instabilidade Perpétua",  dissertação de mestrado de Juliano Garcia Pessanha.

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