Brasília, 3 de fevereiro de 2017.
Teresa,
de volta à rotina, nossa primeira decisão. Quebrá-la. Ao meio. Desfazer a sensação de que voltar para casa, retomar o calendário e usar relógio, celular e computador significa que estaremos, de novo, num mesmo lugar – só que num tempo diferente. Vamos mudar o tempo, então, rotina. Vamos mudar o lugar, então, rotina. Vamos nos mudar sem sair do lugar, nem do tempo. Enquanto estávamos de férias, nossa amiga Lu e sua avó Marinês cuidaram dessa caixinha de surpresa para vocês: cores por todas as paredes da casa. Beringela, azul, verde, rosa, vermelho, preto. Os quadros ainda estão no chão. Doamos um sofá. Desenhamos móveis novos para os seus quartos. As plantas estão a caminho. Mais quadros. Fotos. Memórias outras. Olha, filha, tempo novo precisa disso. No mesmo lugar (mas tão diferente), já somos nós, de novo, com novas cores (mas tão iguais). Somos nós mesmos dando o recado para esse mundo que mora em nós. Ou você muda, querido mundo, ou mudamos nós. Mudaremos, querido mundo, todas as cores – mesmo as que mal sabemos o nome. Teremos paredes assim dentro de nós, coloridas. Teremos muros nas cidades assim, grafitados, pixados, riscados. Sobre o cinza dos monótonos, debilitados pela falta de amor, faremos um campeonato de paint-ball em praça pública. Vamos colorir os muros alheios – para que a gente possa se abraçar em paz sobre os escombros do que é desumano e acinzentado. Aliás, quem estiver cinza que fique a postos. Amor é tinta que temos. De sobra.
Do seu pai,
Pedro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário